2 brasileiros, 2 italianos e 5000km pelo Brasil – La Reunion – 16 dias

Depois de um longo período sem novas publicações no viajedecarro.com, não poderíamos voltar de forma mais do que especial a compartilhar nossa aventura. Os nossos amigos Italianos Andrea e Chiara, que conhecemos na Ilha de Páscoa e que ano passado nos hospedaram em sua casa, esse ano pisaram em solo tupiniquim pela primeira vez. Além de conhecer a cidade maravilhosa, fizemos um giro de quase 5000 km pelo Brasil.

1º Dia

Não foi um bom começo, pelo menos para mim, Alvaro. Depois de uma noite sem dormir passando muito mal, atrasamos a saída de casa em mais de 2 horas e isso comprometeu toda o nosso cronograma de andar mais de 1000 km até Presidente Venceslau.

O Andrea dirigiu pela 1ª vez em nossas estradas e se saiu muito bem. O Alvaro por estar mais acostumado com nosso trânsito caótico dirigiu nos trechos mais congestionados, para sair do Rio e atravessar São Paulo. Mas graças ao Andrea ao menos conseguimos chegar até Assis no interior de SP a uns 880 km do Rio.

Não sei como o Alvaro aguentou o dia inteiro hoje na estrada, foi direto para o quarto dormir enquanto Fernanda, Andrea e Chiara foram comer algo. A jornada estava apenas começando.

2º Dia

Yes, hoje estamos todos bem, nosso cronograma era chegar em Bonito e temos a nosso favor uma hora a mais que ganhamos por Mato Grosso do Sul não fazer parte do horário de verão. Eu, Alvaro, dirigi todo o trajeto, quis poupar o Andrea. Por longos trechos, a chuva nos acompanhou dificultando a condução atrás dos caminhões e pior ainda a ultrapassagem, isso porque as estradas são de uma única via de rolagem.

Chegamos no início da tarde em Bonito. Na agência do Hostel fizemos a programação dos passeios para todos os dias sempre com a preocupação da chuva que ameaçava estragar nossa agenda.

Demos uma volta na cidade para andar um pouco. Na hora do jantar optamos por comer carne em um restaurante turístico, Juanita o nome. Serviram para 4 pessoas a mesma quantidade que estavam servindo na mesa ao lado para duas. Não voltamos mais.

3º Dia

Primeiro passeio que escolhemos fazer em Bonito é o que considerávamos o melhor em nossa primeira visita a Bonito em 2008. O Aquário Natural continua incrível, a água cristalina, uma imensa quantidade de peixes de diversos tamanhos, inclusive o mato-grosso, a nascente do rio é magnífica. Este lugar tem esse nome pela semelhança a um aquário, muita vegetação e peixes. Por mais que vocês leitores imaginem o que escrevemos, vejam as fotos e vídeos, mas acreditamos que só estando lá para saber realmente o que dizemos, pois não existem palavras para descrever tanta beleza e detalhes.

No final da tarde fizemos uma caminhada por uma estrada de terra que circula a cidade, nada muito atrativo. A noite fomos comer hambúrguer nos food trucks que tem na praça principal. Achamos uma boa escolha pelo preço e qualidade.

4º Dia

Para esse dia reservamos a Fazenda Rio do Peixe, passeio de um dia inteiro de atividades. No trajeto avistamos muitas aves inclusive tucanos, corujas. Muita coincidência e sorte, ser guiado pelo Rodrigo o mesmo guia da primeira vez que estivemos lá.

O Andrea logo se encantou com a Gigi, uma anta que fica solta na sede da fazenda. O passeio consiste em caminharmos pela floresta e pararmos muitas vezes para tomar banho no rio com peixes, além da plataforma no alto e um salto para dentro do poço. Desta vez os brazucas amarelaram já que pulamos na primeira vez, os italianos pensaram bastante mas saltaram. Depois o guia nos convidou a entrar num buraco que só Alvaro e Andrea aceitaram para ver onde nasce o rio, passagem muito estreita e logo se abre um salão, mas pouco se vê pela falta de luz.

Começa a jornada de volta a sede da fazenda para o almoço, no caminho algumas paradas e tirolesa. Após o almoço o grupo vai com o guia a outro lago com tirolesa, eu Alvaro resolvi ficar dormindo na rede, mais tarde soube que o Andrea caiu da tirolesa chapando as costas na água, sorte que ninguém entende nada em italiano, se não teriam aprendido todos os palavrões. Também foi bom ter ficado na sede, quando acordei fiquei clicando sozinho um grupo de macacos e outro de capivaras, uma arara azul e outra vermelha.

Uma pena que as chuvas de dias anteriores deixaram a água turva, mas o lugar continua muito lindo.

À noite fomos ao projeto jiboia, onde é explicado a importância das cobras na natureza e o quanto aprendemos errado desde criança sobre o assunto.

5º Dia

Pouco mais de 60 quilômetros nos separam do nosso primeiro passeio e uma boa parte em estrada de terra. Nossa primeira parada de hoje é o Buraco das Araras, uma imensa dolina de terra vermelha que virou abrigo de algumas dezenas de araras vermelhas, mas que nesse dia elas demoraram a dar o ar da graça, segundo o guia nessa época elas estão cuidando dos filhotes nos ninhos.

Ficamos algum tempo apreciando e no último instante, um presente para a nossa despedida, mais de dez delas deram um belo voo que pudemos apreciar. Pronto para a segunda parada de hoje, não muito distante, o Rio da Prata.

Mais uma fazenda, mais um snorkel, ainda na sede da fazenda como se fosse um batismo cai uma chuva e logo para. Fomos no caminhão até o início da caminhada de 30 min pela floresta, em fila olhávamos atentos a procura de algum animal e escutando o guia explicando alguns detalhes que nos passavam despercebidos até a chegada do lago que se forma na nascente do rio que vamos descer flutuando.

Esse rio é diferente do aquário natural, se compararmos esse tem menos verde, mas os peixes são maiores, existem uns troncos de árvore imersos. Durante a flutuação o grupo viu um jacaré de 1m no rio, menos eu Alvaro porque estava sem óculos. Tem um trecho do rio que precisamos sair e caminhar novamente porque tem uma correnteza e pedras, retornamos e flutuamos mais um pouco até avistar um grande cardume de peixes que ficam parados, como se estivessem congelados e logo ao lado tem um deck que é o ponto final para o snorkel, ficamos um tempo ali onde é permitido mergulhar.

A partir de agora o rio é turvo e ainda mais com as recentes chuvas, mas seguimos o curso ora nadando ora boiando. Para fechar com chave de ouro, tivemos o privilégio de ver uns macacos atravessando o rio pelas árvores logo a nossa frente, na sequencia chegamos a outro deck, voltamos pra sede de caminhão morrendo de fome, mais um almoço delicioso nos espera.

Eu Alvaro, queria muito ver o tamanduá, o guia me disse que sempre vê quando retorna pra cidade após as 17hs, ficamos na fazenda esperando esse horário, retornamos devagar procurando e… nada, em vão.

Esse foi eleito por nós o passeio TOP desta passagem por Bonito, desbancou o Aquário Natural.

6º Dia

A manhã deste dia foi dedicado a Gruta do Lago Azul, uma gruta que contém água cristalina, mas que pelo efeito da refração o tom é azul do claro ao escuro. O acesso da boca até o interior está modificado em relação a nossa primeira visita, que agora possui escadas e corrimões.

De volta ao hostel, decidimos alugar umas bicicletas e pedalar até o restaurante para almoçar e depois passar a tarde no balneário municipal. Pouco tempo pedalando eu, Alvaro me dou conta que esqueci as toalhas, grito para a Fernanda: – Me esperem no restaurante, confusão gerada. Pego as toalhas e vou pro restaurante, que está fechado e não vejo ninguém, começo a pedalar pela cidade para procura-los e nada, resolvo voltar pro hostel e esperar. Envio mensagem para todos e nada. Me ligaram de um orelhão, fico sabendo que estiveram me esperando no ponto onde me afastei para buscar as toalhas e que vieram no hostel por duas vezes e não me acharam. Resolvemos que agora eu irei ao balneário de carro enquanto eles vão pedalando.

Diante da confusão, ficamos sem almoço, mas um lanche rápido em um dos restaurantes do balneário nos salvou. O lugar é uma grande área de recreação, parecido com uma praia de água doce onde é possível nadar com peixes e tomar banho de sol na grama, diferente das outras atrações turísticas onde tem que seguir uma série de regras e tem hora para começar e terminar.

7º Dia

Destino Pantanal, após 3 horas na estrada sentido Corumbá e mais 8km dentro da Estrada Parque no Pantanal MS, chegamos ao Pantanal Jungle Lodge que fica a margem do rio Miranda. Esse lugar é novo tudo muito bonito, bem estruturado e com muito conforto.

Nosso primeiro passeio, subimos o rio de barco uns 3km e o guia falava que podíamos pular na água para boiar, peraí como assim, tem piranha, jacaré, arraia, não, não vamos. O guia foi primeiro para mostrar que é seguro, o Andrea se encorajou e foi, eu Alvaro pensei, pensei muito e … ok, estou na água agora não tem volta, quero que a correnteza me leve logo de volta para a sede do hotel e que isso termine logo. Fernanda criou coragem e pulou na água também. Mais um para servir de refeição para tantos bichos que vivem ali. Na verdade, o guia nos disse que o perigo não são os que citamos e sim a ariranha, ela não apareceu e regressamos salvos e inteiros.

Estamos prontos para o segundo passeio, agora descer o rio de canoa remando, sem motor para não espantar os animais e poder apreciar toda a beleza que o lugar nos oferece. Andrea e Chiara vão numa canoa, conseguem um bom entrosamento e se distanciam, Fernanda vai na frente e eu atrás para guiar, mas não conseguimos um bom entrosamento. Fernanda tenta guiar ao invés de remar eu remo ao invés de guiar, existe o risco da canoa virar. Até que a nossa canoa vai de encontro com a margem do rio e gira em 180º ficando ao contrário e bem perto de um jacaré de mais de 1,5 M que resolve entrar na água e a canoa fica balançando querendo virar. Passado o susto, remamos novamente e aproveitamos o rio. No retorno, voltamos no barco a motor.

Que dia cheio, mas ainda tem o terceiro passeio novamente de barco, para ver aves e outros animais na beira do rio, um lindo pôr do sol deu lugar a uma lua cheia que brilhou no céu. Após escurecer começamos a focar a lanterna na margem do rio, quando no foco surge ponto vermelho brilhante é hora de se aproximar devagar para ver o jacaré, e assim fizemos algumas vezes. Agora sim um jantar e cama.

8º Dia

Para o segundo dia no Pantanal, o guia nos reservou um passeio de barco no rio Miranda, onde pudemos observar muitas aves, macacos, jacarés, iguanas, capivaras. Quando chegamos no rio Vermelho pudemos ver a diferença de cores das águas como se fosse um abraço se misturando. Seguimos por esse rio e a paisagem na margem mudou para uma beleza maior. O tempo passou muito rápido e logo estamos de volta ao hotel para o almoço.

A tarde chega mais um grupo de turistas que se juntou ao nosso e a atividade é uma pesca de piranha no rio que tomamos banho no dia anterior, loucura. Assim sem sair da sede fomos a pescaria, a Fernanda como não curte muito ficou só observando e registrando os acontecimentos, eu Alvaro lanço o anzol e é só puxar que vem uma, duas, três… e devolvo ao rio as pequenas, enquanto o Andrea só alimenta os peixes. Ele pesca a primeira que sai do anzol, a segunda idem. Nossa assim vai ficar sem peixe pro jantar. A Chiara não entendeu que a pescaria era de piranha e pegou três peixes diferentes, uma comédia, porém um era uma Piraputanga.

A noite nos juntamos ao novo grupo e repetimos o safari noturno da noite anterior, porém os novos aventureiros não ficaram quietos e espantavam todo e qualquer tipo de animal, com exceção dos mosquitos que os jantavam porque não passaram repelente. Quase não vimos os jacarés e até a lua cheia da noite anterior ficou escondida nas nuvens, será de vergonha?

9º Dia

Esse dia foi cansativo, acordamos muito cedo para o safari no caminhão e uma caminhada. Fomos os primeiros a chegar no caminhão e assim ficamos com os melhores lugares. Vimos um tatu cruzar o nosso caminho, uns quatis subindo na árvore, muitas aves, macacos, um veado e claro jacarés. O caminhão percorre um longo trajeto na estrada parque até que descermos para uma caminhada dentro da mata. Não andamos por muito tempo, mas pudemos ver araras vermelhas, sapos, pássaros e macacos. O retorno ao Lodge foi sofrido, um sol escaldante nos queimava. Acho que ficamos assando umas duas horas.

 

Tomamos um banho, almoçamos e fechamos a conta, tudo isso muito rápido porque a nossa viagem foi longa até Mundo Novo, distante mais de 700km, a última cidade do MS antes do Paraná. Conseguimos sair pouco depois das 13hs, Alvaro e Andrea revezaram a direção, quando a noite caiu Alvaro assumiu a direção por estar mais acostumado as nossas estradas sem leis: caminhões que ultrapassam caminhões na contra mão em faixa contínua. A nossa esquerda tem uma bela lua cheia, mas no horizonte o medo de encontrar uma terrível tempestade que pudemos ver pelos raios que cortavam o céu. No fim passamos por tantos caminhões que perdemos a conta, mais parecia um dejavu. Chegamos no hotel por volta das 23hs exaustos e sem uma gota da chuva.

10º Dia

Durante a madrugada a chuva chegou e saímos do hotel debaixo de um dilúvio, a chuva nos acompanhou por quase os 250km que nos separavam até Foz do Iguaçu. Chegamos na pousada no início da tarde, a atendente muito solicita no indicou um restaurante de comida caseira que era no caminho do parque Iguaçu do lado brasileiro.

Já no parque pegamos o ônibus que nos levava até as cataratas, que sorte ficamos em primeiro na fila, e assim sentamos no alto e na frente do ônibus. Vista panorâmica melhor não tem. Começamos a caminhar e ver as inúmeras quedas d’ água, eu Alvaro e Fernanda já estivemos aqui, mas nossos amigos italianos ficaram de boca aberta, impressionados, sem palavras. Podemos ver nitidamente que o volume da água estava acima do normal devido as recentes chuvas.

Quando chegamos a passarela principal, que nos leva ao meio do rio pudemos ver a garganta do diabo e a principal queda de frente, eu Alvaro e Fernanda dissemos que quem usa capa de chuva é turista, e eles usaram uma que a atendente da pousada emprestou. Pra que? Retornamos da passarela rapidamente e ensopados, era torcer a roupa e ela escorria de tanta água. O sol até apareceu e nossos amigos resolveram voltar um pouco para mais umas fotos enquanto nós esperávamos.

No caminho de volta passamos na Tríplice Fronteira, estava em obras de melhoria do local. Lá pudemos ver o encontro dos dois rios que separam os três países. Depois de um banho, agora de chuveiro, fomos jantar uma picanha na pedra de lamber os dedos no restaurante Jardim das cervejas.

11º Dia

Nesse dia atravessamos a fronteira com a Argentina e isso nos rendeu a mais engraçada para não falar surreal história da viagem. Ainda no Brasil fomos na Polícia Federal fazer os trâmites de saída, sem falar que tem mais um casal de italianos com a gente. Eis que o agente federal nos informa, podem passar sem controle, o computador não está funcionando. NÃO, COMO ASSIM, então qualquer um pode sair do pais? Continuando … após a ponte tem o trâmite com a Argentina, não saímos do Brasil, mas entramos na Argentina, então outro agente tem que checar o carro, porém só pergunta o que eu tenho no porta malas e respondo, nada, OK! Pode passar, mas se o carro for roubado, se existir drogas, armas, etc na mala. Ou ele sabia realmente que não tinha nada, só quatro turistas dentro do carro querendo passar o dia no Parque Iguazu.

Após entrar no parque procuramos por fazer o passeio de barco que nos levaria até embaixo das quedas, mas, devido as chuvas dois dos três passeios estavam cancelados e este que funcionava estava esgotado. Também ficamos sabendo que a ilha estava fechada pelos mesmos motivos. Um guia local nos deu a dica de fazermos o circuito inferior, depois o superior e no final a garganta do Diabo. E assim, seguimos sempre nos caminhos que cortam a mata e as pontes que atravessam os rios das inúmeras quedas.

Para o Gran Finale resolvemos pegar o trem até a estação e seguir pela interminável passarela, que no início não se escuta nada, uma calmaria, mas quando se chega próximo a queda quebra-se o silêncio e no auge que fica acima da garganta do diabo o som é ensurdecedor. Só ficamos imaginando o quanto profundo deve ser e como seria se pudéssemos enxergar sem a água. No retorno Andrea e Chiara retornaram caminhando e nós esperamos o trem, esperamos tanto que eles andando chegaram primeiro.

Ainda na Argentina fomos a cidade de Puerto Iguazú, a cidade parece ter parado no tempo. Fomos a uma feirinha que tem no final da Av. Brasil. Lá tem muitos doces de leite, azeitonas, azeite, etc. Também aproveitamos para comer e retornamos para a pousada, fim do dia exaustos.

 

12º Dia

De volta a estrada, nesse dia andamos mais de 850km até a cidade de Iporanga em SP, para conhecer as cavernas do PETAR. Esse era um desejo antigo, desde que estivemos em Terra Ronca, e aí juntamos os quatro aventureiros, então porque não?

Saímos de Foz pela BR277, que apesar de boa por causa dos pedágios precisa ser duplicada. A pista simples provoca uma enorme fila indiana atrás dos caminhões, sem falar dos imprudentes que ultrapassam onde não é permitido. Alvaro e Andrea se revezaram na direção. Nosso amigo italiano adorou dirigir numa estrada que corta a floresta.

Estamos na Regis Bittencourt quando começa a escurecer, e acompanhando a noite vem uma fina garoa e o nevoeiro. Paramos em um posto para abastecer o carro e nos abastecermos, pois já estava tarde e não queríamos arriscar chegar na cidade e não ter nada para comer.

Deixamos a BR116 para trás e entramos em Barra do Turvo quando os últimos 30km até o destino eram de estrada de terra. A estrada não é boa, o carro não é off road, por mais devagar que se dirija, várias vezes o carro bate o assoalho no chão. Não se consegue ver nada dos lados, nenhuma casa. Sozinhos na estrada, o medo de estar errado ou da estrada piorar ao ponto de termos que retornar era grande. Estávamos cansados e UFA quase duas horas depois chegamos a pousada. Como o Andrea diz, estamos destruídos!

13º Dia

Contratamos um guia para nos guiar no parque os dois dias, 16km nos separam até o núcleo Santana. O guia fez uma jornada mais leve no 1º dia e pesada no 2º, agradecemos porque o dia anterior foi pesado.

Usando capacetes com lanterna, digo nossa única fonte de luz que só conseguíamos enxergar poucos metros a nossa frente visitamos três cavernas que possuem pontes e escadas de madeira bem rudimentares, mas que permitem o acesso dos turistas.

O escuro absoluto prevalece onde nossas lanternas não alcançam, e o medo do que não se consegue ver também. Mas a cada instante somos surpreendidos, cada salão que entramos a caverna nos mostra uma beleza individual. E mesmo nesse lugar hostil, a natureza mostra do que é capaz e sim, existem animais que vivem dentro da caverna.

Um salão em especial existe “estalactites em forma de orelhas” e o guia nos mostrou vários acordes só ao tocá-los. Depois ele nos explicou que o Hermeto Pascoal (vídeo no youtube) gravou um clip onde usava isso como instrumento de percussão.

Um determinado momento fizemos um experimento de apagar as luzes e ficar em silencio por um minuto. Essa experiência foi realizada com fins científicos. Um grupo entrou na caverna pra ficar 3 semanas sem contato com o mundo externo, os mais resistentes ficaram 2 e achavam que tinham ficado somente uma. Isso mostra como o nosso cérebro fica perdido e depressivo.

Já estamos nos habituando a chegar na pousada destruídos, hoje não foi diferente. Uma soneca antes do jantar delicioso e cama, mais um dia nas cavernas nos esperam.

14º Dia

Nesse segundo dia caminhamos por trilhas, passarela, escadas e mais escadas. Mas tinha algo que nos incomodava, a ideia de atravessar o rio algumas vezes pela água e continuar a caminhada com os calçados encharcados o resto do dia. Na primeira passagem Fernanda tira o tênis, calça papetes para atravessar, seca os pés e calça os tênis novamente, enquanto nós três descobrimos a desagradável sensação de caminhar com os pés encharcados. E assim se repetiu por todas as passagens.

Subindo o rio chegamos a primeira cachoeira, mais uma vez entramos na água com a altura até a cintura e um banco de areia nos deixa bem próximos a queda para uma melhor apreciação. Retornamos um pouco para um local fora d’água e um breve lanche para o almoço. Estamos prontos para a segunda cachoeira, novamente na água não muito distante da primeira lá está ela. É hora de retornar e conhecer mais cavernas.

Durante mais uma travessia do rio, CABUMMM, Andrea leva um escorregão e cai inteiro dentro d’água, não se machuca. O guia avisa não pise nas áreas escuras, são pedras enormes e tem limo, mas agora é um pouco tarde pra avisar! Uma pena não termos nenhuma foto deste momento. Enfim, a primeira caverna de hoje, é uma caverna seca, com muitas estalactites que caíram, outros no teto bem pequenos e brancos que se parecem cabelos de anjo.

Mais um pouco de trekking e a última caverna, é a que achamos a mais bela. Essa caverna é molhada, porque passa um rio pelo interior e vamos seguindo por ele e Fernanda finalmente é convencida de molhar os sapatos. Não sabemos ao certo quanto tempo andamos por essa caverna, mas sempre que achávamos estar no fundo dela fazíamos zigue zague entre as estalactites e um novo salão se abria para seguirmos o rio, sempre saindo e retornando a água. Em um desses momentos de chão seco apagamos as luzes e com umas pedras nas mãos atiramos ao chão que reproduzia umas pequenas fagulhas de fogo, muito legal.

Enfim chegamos ao final da caverna, ao menos para nós turistas, porque ela continua, mas numa área não segura. Neste ponto a água do rio escorre por uma pedra que mais se parece com uma fonte. Mais caminhada até o carro e retornamos para a pousada, agora só o delicioso jantar e cama. Estamos novamente destruídos.

 

15º Dia

Mais um dia na estrada, 600km nos separavam de Paraty. Depois de trechos com chuva, engarrafamentos, atravessar São Paulo, enfim chegamos por volta das 17hs. O tempo estava chuvoso, que aliás acabou estragando os nossos planos. Caminhamos pelo centro histórico, desviando das poças d’água que refletiam imagens das casas antigas.

Escolhemos jantar num restaurante que estava vazio, tinha uma música bem brasileira e um menu muito bom. Depois de algum tempo o chef veio conversar conosco, mas nós não entendíamos um cazzo, só os italianos. O chef é brasileiro mas morou muitos anos na Itália e hoje tem dificuldade de falar o português. Houve um momento que o Andrea traduziu para ele o que o falamos, só no Brasil mesmo que isso acontece.

16º Dia

O clima estava insosso e por decisão unanime íamos voltar para o RJ na parte da tarde. A parte da manhã caminhamos novamente no centro histórico, conhecendo outras ruas, e antes do meio dia colocamos o carro na estrada. Só 250km para o Rio, mas as curvas de Santos fazem dirigir devagar, por segurança e também para apreciar a paisagem.

 

Essa viagem também pode ser lida pela visão do Andrea, acessando o site http://www.inqbi.com/seven/

Que aliás é muito divertido poder ler a opinião de um estrangeiro viajando pelo Brasil. E para saber o que saboreamos durante a viajem acessem o site da Chiara http://www.inqbi.com/chiarinaincucina/

 

NÚMEROS DA VIAGEM:

 Dias de Viagem  16
 Distância Percorrida  4.945 km

 

MAPA:

A – Rio de Janeiro, B – Assis, C – Bonito, D – Pantanal, E – Mundo Novo, F – Foz do Iguaçu, G – Iporanga, H – Paraty

 

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